Transcrevemos aqui um emblemático diálogo entre Sofoca-lhes (reconhecido por historiadores sinistríssimos como o pai do Sacanismo medieval) e Engraxerxes (indiscutível pilar e pilotis da Pivética) conforme narrado pelo menestrel Pedro-Duro (o cagüeta mais sujeira que já pisou sobre a terra vermelha do Planalto Central) no livro "Disque-Denúncia de papel"(vale ressaltar que, apesar de muito questionado, o relato do Sr. Duro certamente nos parece confiável, tendo em vista que este trabalhava para a DCA - atual Delegacia da Criança e do Adolescente, antigo Decanato da Criaca Alheia - como agente fura-olho e filador profissional de mato maroto). Tal momento histórico está para o entendimento das diletâncias entre o Sacanismo e a Pivética como a CHINELA KENNER está para as caminhadas à padoca da comercial. Com notas adicionais da equipe de professores do Núcleo de Estudos da História Mal Contada da UNIMED-DF (Universidade Medieval do DF), ei-lo:
“(...) aproxima-se Sofoca-lhes, no cangote de seu cavalo Pichorra, da quebra em que reinava Engraxerxes (Nota: Setor Comercial Sul, atual Parque Temático do Sexo no DF)(...)Na medida em que bolava um tracejante, via a imagem de um pequeno pastor esquálido se desenhar contra a parede da LOBRÁS (Nota: “Lojas Brasileiras”, no dialeto dos pequenos empreendedores). Assim, do nada, a raquítica figura grita lá da casa do caralho:
- OXE VÉI, ALTO LÁ! – era o próprio Engraxerxes, preocupado com a soberania de seu reino. Sofoca-lhes, no entanto, não estava ligado no moví.
- Alto é o pau em que amarraram tua mãe! Fica de boa que nao te condenarei ao bombão - disse Sofoca, acreditando tratar-se de um maconheiro qualquer (Nota: Além de ser um exímio tirador de onda e ocasional quebrador de quebra-faite, Sofó também é mencionado por cadetráticos que caem pra dentro como o descobridor do Mata-leão à Distância).
Foi quando o pai do Sacanismo notou que estava cercado por uma renca de maloqueiros. Não teve opção a não ser reiniciar o diálogo:
- Calma que vim curtir na paz!
Engraxarxes achou o estranho meio abusado e, por isso, julgou que este merecia o tratamento-padrão para bodinhos errantes:
- De que quadra tu é, mermão? - perguntou o mestre-piva enquanto organizava a revoada de voadora pelas costas a que Sofoca-lhes seria inevitavelmente submetido (Nota: A legislação do GDF exigia que, durante a abordagem de rotina a que todo cidadão tinha direito caso encontrasse algum otário perambulando por sua quadra, fosse averiguada a procedência da vítima ANTES de ser estabelecido o processo de crocodilagem. A maioria dos legisladores papeiros afirma que felizmente esta burocracia xarope caiu por terra graças ao advento do metrô.)
- Não venho de quadra alguma, fi...vim buscar uma bolinha de bete que zuniram pro lado de cá!
Sofoca-lhes usava as manhas do Sacanismo para confundir Engraxerxes, que não era otário e logo retrucou:
- Erdes papeiro, mas supondo por um minuto que esteja mandando a real, nao se preocupe: se a bolinha caiu aqui é minha! Vaze antes que minha galera o chorumize!
- Relaxa aí que vou botar um tchose pra neguinho.
- Opa...botei fé na atitude - disse Engraxerxes, um pouco mais de boa.
A conversa ganhara novos prumos e Sofoca, sobrevida. Com o tchose mirrado que tinha em mãos, no entanto, nao podia fazer muito além de distrair a horda enquanto bolava um plano de fuga:
- Essa calor tá esparrado, hein?
- Cala a boca, baixa a bola e acende essa porra aí! - Diante de tamanha pagação, o bodinho Sofoca-lhes notou que não teria outra alternativa a não ser botar pra jogo toda sua técnica sacanista. Só assim conseguiria subjugar seus algozes e continuar seu caminho na paz de Jah. Assim o fez:
- Aí, na boa...se vocês são tão sinistros, por que estão na fissa?
- Na fissa?
- Sim, se estavam numas de cair pra dentro e mudaram de idéia quando botei um tchose pra geral é por que há muito nao tostam!
Contrariado e completamente puto, Engraxerxes preparou-se para o ataque, mas foi impedido por seus instintos de mestre pivético: sentiu que havia algo ali em que poderia dar o ganho.
- Na real, nós nunca fumamos...(Nota: os ensinamentos da Pivética estabeleciam que seus praticantes deveriam dar balão em todos os bens que lhes parecessem caros, fosse por vias crocodílicas ou sentimentais. Em muitos casos, os adeptos da Pivética forçavam a barra com pelo menos uns cinco minutos de chantagem emocional antes de descer a lenha em suas vítimas e levar o que fosse necessário. Engraxerxes havia cunhado tais ditames e não deixaria de aproveitar uma oportunidade tão clara de executá-los na frente de seus bródueis, os quais deveria doutrinar não só na base do cascudo.)
- Oxe, mas como é possível?
- Não notaste que ninguém aqui usa nike air? Desta quebra até as planícies da 202 Norte não há sequer um bodinho...
Sofoca-lhes chegou a considerar deixar de preza todo o tchose que tinha em mãos. No entanto, notou que tratava-se de um truque de prestidigitação e resolveu vazar antes que batessem o pavão em seu boné. Se afastando pianinho, mandou a seguinte letra::
- Pois esqueçam esse tal de tchose, não faz a mente como a parada que vou buscar...trarei para vossa galera uma caixa de lança-perfume importada do carnaval da AABB. Na brodagem, juro! É jogo rápido, vou ali e já volto.
Um dos súditos de Engraxerxes, vendo o bodinho escapar, perguntou:
- Como podes permitir que ele dê o rala?
O rei da pivética sorriu e disse na cara dura:
- Fica de boa, fi. O cavalo é meu bróder e me entregou o tchose na encolha enquanto o bodinho se AMOSTRAVA (Nota: Segundo as regras da Gramática Medieval dos Bródueis, o verbo "mostrar", quando precedido de "se", exigia o prefixo "a").
Rente ao horizonte zoado pela Torre de TV, Sofoca-lhes nem imaginava que estava prestes a fumar tchose d'alfafa... (Nota: Zero. Fumamos pra ver de qual era e podemos garantir que esta cepa de baratinho realmente não mafuza).